Existe um tipo de autocuidado que não aparece em potes, nem em rituais bonitos, nem em frases prontas.
Ele acontece por dentro — e às vezes dói.
É quando você escolhe dizer não.
Não para o que te drena.
Não para o que te confunde.
Não para o que te coloca em segundo lugar.
Não para a pressa que te atravessa.
Não para a culpa que te amarra.
Dizer “não” é um limite.
E limite é amor próprio em ação.
Muita gente acredita que se cuidar é só se mimar, descansar, fazer skincare, acender vela, tomar banho demorado. E tudo isso é lindo — mas não sustenta sozinho uma vida inteira se você continua se abandonando em nome de agradar, de provar, de dar conta.
O “não” é o momento em que você se escolhe.
É quando o corpo entende: “ela está me protegendo.”
É quando a mente desacelera, porque não precisa mais se explicar tanto.
É quando a pele, aos poucos, deixa de carregar tensão acumulada.
Porque sim: o corpo sente os “sins” que você dá sem querer.
E ele sente também quando você se força a caber onde já não cabe.
Amor próprio não é sempre suave.
Às vezes ele é firme.
Às vezes ele é um corte limpo no que já não faz sentido.
Às vezes ele é sair do automático e dizer: eu não vou mais me violentar para manter paz com o mundo.
O “não” abre espaço.
E espaço é onde a vida volta a respirar.
Quando você diz “não” para o excesso, você diz “sim” para o descanso.
Quando diz “não” para a culpa, você diz “sim” para a verdade.
Quando diz “não” para o que pesa, você diz “sim” para um caminho mais leve — e mais seu.
Se hoje você está aprendendo a dizer não, vá com carinho.
Nem todo “não” precisa ser gritado.
Mas todo “não” precisa ser honrado.
Porque se amar também é isso:
se proteger.
se respeitar.
se escolher.
Com carinho,
Munyra Luanne
